Foto de capa - Adriana Haddad
FOTO Gleice Bueno

Sobre Adriana Haddad

A Dri é chef de cozinha formada em Barcelona, na escola de gastronomia Espai Sucre. Criou a escola de culinária Ovos Quebrados e dá aulas para grupos pequenos de tudo que nossa imaginação mandar! Suas paixões, além da Yasmin e do Rafael, são as panelas e os livros de culinária. E sua grande obsessão é escrever, escrever muito. Principalmente para o blog Ovos Quebrados, onde ela compartilha suas paixões, viagens, referências e principalmente suas receitas maravilhosas.

11 de junho de 2015

Por Dani Scartezini

Eu conheci a Dri através da Flavia Del Pra, outra história da AmoMeuFazer. Aliás, muita gente me pergunta como escolhemos as histórias que contamos aqui. É um processo muito orgânico e intuitivo. Uma amiga que comenta, uma história que puxa a outra, empatia… e assim vai. Temos o cuidado de trazer histórias de mulheres que transformam suas vidas e a de seu entorno, através de seu fazer. E claro, que sejam fazeres interessantes. Mas, isso é outra história. Fato é que a Dri foi aqueles casos de amor à primeira vista; daquelas pessoas que parece que você sempre conheceu. Nos falamos pela primeira vez por email. Ela me procurou, dizendo que eu TINHA QUE CONHECER seu trabalho :) . Eu adorei a forma como ela se expressava, escrevia. Bom, o tempo passou, a AMF cheia de pautas lindas, até que rolou um trabalho para a Floristas de curadoria de personagens para uma websérie de mães, alimentação, etc. Sei lá. Pensei nela na hora. Quando vi já estava na casa dela filmando e comendo o melhor pesto de mangericão que já comi na minha vida. Ela me abraçava e ria, me chamava de Dani, me contava sua história, indicava mais mil amigas… Se você visse a gente naquele dia, teria certeza que éramos amigas de longa data. A Dri é contadora de histórias, é carismática, divertida e feliz. Quando se está na casa dela, tem-se a sensação de que ela é realmente uma pessoa grata com a vida que fez para si. Não sei para você, mas para mim, as pessoas que “cozinham bem” têm algo a mais nas mãos. Um dom, uma mágica, um pozinho mágico – Sazon? :) Porque não é técnica. Isso qualquer um aprende. É algo a mais que faz qualquer, qualquer coisa – a mais ordinária – um arroz, um bife, sei lá, ficar maaaaaravilhoso, delicioso. Meu pai era assim. Minha irmã mais velha é assim e a Dri é assim. Acho que é o amor deles pela relação com a comida e tudo que vem com ela. Sentar à mesa, o servir, a reunião, o carinho, tudo. A comida da Dri traz conforto, aconchega e é como ela: alegre e cheia de sabor, de vida. Criar a escola de culinária Ovos Quebrados e dar aulas foi um caminho natural e um talento que ela apenas externalizou. Ela conta histórias, diverte, emociona e ensina como ninguém. Pelo prazer, pelo deleite. 

Conheça essa história deliciosa chamada Dri Haddad.

Voltar para restaurantes, nem pensar! Queria ficar próxima dos meus filhos. Mas ficar parada estava fora de cogitação! Então como unir cozinha e maternidade? Uma amiga me disse que a saída era começar com alguma coisa – tipo, qualquer coisa. Um blog, por exemplo.

Quando bate a falta da sua família, do seu lugar, do seu país, uma das maneiras de amenizar essa “dor de saudade” é através da comida.

Conheça a história de Adriana Haddad

Por incrível que pareça, cozinhar não era minha paixão na infância. Nessa época, meu coração pertencia aos livros. Eu adorava escrever. Passava horas inventando e contando histórias – aliás, o que faço até hoje com o Ovos Quebrados, meu site de gastronomia. 

Mas na hora de escolher minha profissão, segui o caminho do meu pai e me formei em Direito. Fiz estágios por um tempo em escritórios de advocacia, e quando resolvi prestar concurso público para juíza, o Fábio (meu marido) passou no MBA de Barcelona. Não tive dúvidas. Fizemos as malas e fomos morar na Espanha. Nessa época, eu também escrevia para alguns sites e revistas sobre dicas de viagens e gastronomia. Então imagina: eu já amava esse universo e a oportunidade de ir morar na Europa foi perfeita. Eu sempre digo que foi o “pulo do gato” para passar – literalmente – do papel para o fogão. 

Então imagina: eu já amava esse universo e a oportunidade de ir morar na Europa foi perfeita. Eu sempre digo que foi o “pulo do gato” para passar – literalmente – do papel para o fogão.

Ficamos fora muito tempo: 10 anos entre França, Espanha e Inglaterra. Isso causou todo o impacto na minha transição profissional. Foi na Europa que eu realmente entrei na cozinha. Aprendi tudo, de cabo a rabo, sem frescuras. Desde a limpeza da própria, à organização do espaço. O “cozinhar” mesmo só veio depois disso. E foi ótimo ter sido assim.  

Encarar a mudança de carreira e o medo de decepcionar principalmente o meu pai – que é juiz de direito – com a noticia meio bombástica (ao menos para ele!) que eu tinha resolvido ser cozinheira para ficar entre panelas e não entre processos, foi difícil.

A culinária foi um chamado, uma receita com dois ingredientes principais: necessidade e resgate. Necessidade porque morando fora não dá para comer em restaurante todo dia, tem que se virar mesmo.  E resgate porque quando bate a falta da sua família, do seu lugar, do seu país, uma das maneiras de amenizar essa “dor de saudade” é através da comida. Não conheço um brasileiro que não adore encontrar um pão de queijo com guaraná quando está morando fora do Brasil!

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Tudo foi muito bom, muito gostoso, mas encarar a mudança de carreira e o medo de decepcionar principalmente o meu pai – que é juiz de direito – com a noticia meio bombástica (ao menos para ele!) que eu tinha resolvido ser cozinheira para ficar entre panelas e não entre processos, foi difícil… bem difícil. Mas eu peitei essa história e agora falo sem hesitar que foi a escolha certa.

 

Então veio a inspiração: “vou criar um blog e postar a receita de um bolo por dia, todos os dias, durante um ano inteiro. Vai se chamar Ovos Quebrados”. E rolou a mágica. Os bolos saíram das caixas e das prateleiras e ganharam o mundo.

Voltamos para o Brasil depois de uma década: eu, Fábio, uma filhinha de 2 anos e um menino ainda na minha barriga.  Trabalhar em restaurantes, nem pensar! Queria ficar próxima dos meus filhos. Mas ficar parada estava fora de cogitação! Então como unir cozinha e maternidade? Uma amiga me disse que a saída era começar com alguma coisa – tipo, qualquer coisa. Um blog, por exemplo. E eu que nunca tinha pensado nisso, lembrei de todos os livros que eu colecionei ao longos dos anos, do quanto eles estavam lá, parados, encaixotados ou em prateleiras, meio que sem uso. Então veio a inspiração: “vou criar um blog e postar a receita de um bolo por dia, todos os dias, durante um ano inteiro. Vai se chamar Ovos Quebrados”. E rolou a mágica. Os bolos saíram das caixas e das prateleiras e ganharam o mundo, com sabor de chocolate, baunilha, framboesa, com farinha, sem farinha, com clara em neve, açúcar mascavo, com mel. E assim fui fazendo os bolos, dia após dia, e dessa história, vieram outras, muitas outras. A minha escola de culinária, por exemplo, só aconteceu por causa dessas histórias ligadas aos bolos, aos livros e as crianças. 

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Para mim, que tenho a experiência de ter dois filhos pequenos, nutrir é o primeiro ato de amor e responsabilidade que temos como mãe. O amamentar, as primeiras papinhas…aliás, comecei dando aulas sobre esse tema – amava estar entre mães e bebês!

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Sabor vai além do juntar um ingrediente com outro. O sabor permite que você conheça outras culturas, outras maneiras de ser diferentes da sua (um exemplo é o abacate, que na nossa cultura vai com açúcar. Em outras culturas, vai com sal, pimenta… São interpretações do sabor com o mesmo ingrediente). Fora que ele tem o dom único de nos transportar para um outro tempo, qualquer tempo que a gente quiser.

Eu aprendo muito enquanto ensino. Não gosto de organizar minhas aulas em níveis, baseada nos conhecimentos de cada um. Detesto isso, porque o que mais observo é a troca de conhecimento entre as pessoas. E é o fazer em conjunto que permite o bom resultado das minhas aulas. Fico impressionada como o pensar coletivo aumenta meu próprio potencial em criar, ousar. Sem essa troca, isso não seria tão dinâmico para mim.

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Adoro minha escola de cozinha, adoro ensinar, mas ainda tenho um desejo muito grande para conquistar: escrever um livro do Ovos Quebrados, contando minhas histórias e compartilhando minhas receitas. Também está nos planos documentar minhas viagens, minhas impressões da culinária de cada lugar que eu visito, e até (quem sabe?) criar uma série em algum formato bacana. Estou criando isso. Aliás, para mim, o ingrediente fundamental na vida é a criatividade (e azeite de oliva!).

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Para mim, que tenho a experiência de ter dois filhos pequenos, nutrir é o primeiro ato de amor e responsabilidade que temos como mãe. 

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Eu amo meu fazer porque ele me permite sonhar e estar em um mundo que eu mesma criei para mim.

Fabiane Secches