Foto de capa - Flavia Del Pra
FOTO Gleice Bueno

Sobre Flavia Del Pra

A Flavia é artista. A cerâmica é o material que encontrou para criar e se expressar. Como ela mesma diz, é o suporte mais plástico, ou que permite mais possibilidades. Foi através dela, que descobriu seu talento para desenvolver estampas para suas peças, o que virou a marca de seu trabalho. O dom de misturar cores e padrões, talvez venha de outra paixão em sua vida: viajar. Não é para menos que por causa de suas andanças pelo mundo, ela encontrou o que gosta de fazer e tornou-se quem é. Além do trabalho com a cerâmica, ela agora experimenta os tecidos e outras formas de produzir sua arte. Flavia soube transformar possibilidades em oportunidades e ver seu trabalho reconhecido no mercado internacional, através de marcas como a Anthropologie. Seu próximo destino já está na agenda. Na bagagem? Vontade de aprender e encontrar novas possibilidades para o seu fazer – sempre!

  • http://www.flaviadelpra.com.br/

    http://www.facebook.com/flavia.d.pra/

25 de fevereiro de 2014

por Daniela Scartezini

“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.”

Ricardo Reis | Fernando Pessoa.

Percebo que realmente as histórias escolhem sua hora para chegar e o momento de se revelar para o mundo. Tem pessoas que também são assim em nossas vidas: elas vem, vão e de alguma maneira a gente sente que ali tem alguma história para rolar.

Há muito tempo meu caminho se cruza com o dela. Ela nem sabia, mas há uns dez anos atrás, eu dividia um estudio com a Lara Sabatier, ilustradora e designer que, na época, estava desenvolvendo toda comunicação da Flavia e me perguntava o que eu achava, enquanto criava. O tempo passou, reencontrei o trabalho dela em um painel, na casa de uma amiga; depois nos conhecemos pessoalmente (finalmente) e tentamos encontrar um tempo entre filhos, viagens e trabalhos, para contar sua história aqui, na #AMF. 

É tão interessante quando essência (luz) e realidade (terra) se encontram! O resultado é um fazer que tem seu brilho próprio e que “acontece” – como ela mesma diz. O trabalho da Flavia é assim: revela a essência de sua criadora em matéria, forma e cor. Como ela, é alegre, alto-astral, colorido, forte, vivo, ousado, belo. E nós, recebemos (e percebemos?) isso através do encantamento que nos desperta, da beleza que emoldura.

Como em seu trabalho, eu fui juntando pequenas histórias, imagens de sua trajetória, até termos um painel só para expor quem é Flavia Del Pra. A vontade é de compartilhar mais uma história que, de alguma maneira, inspira a outros em suas caminhadas. E Flavia é um exemplo de quem deixou-se levar pelo caminho e fazer dele seu lugar. A única certeza é a de ser fiel à sua vontade de ser artista e viver do seu fazer.

Sinto-me grata de ser o instrumento que transmite a história sobre o fazer da Flavia, nesse momento. Momento em que ela está inteira. Mas, conta que para chegar até esse lugar, temos que nos manter dispostos e porosos ao que a vida nos oferece e fazer de toda experiência, uma oportunidade para “ser grande, sê inteiro”

“Eu tinha mais ou menos 8 anos e tomava conta do atelier da escola; dos materiais, enfim. Tinham aulas de marcenaria, pintura… Eu ficava alucinada! A escola incentivou muito meu ímpeto de criar algo a partir do “nada”.”

“Não adianta você ser só criativo. É muito importante saber vender, falar com as pessoas, entender a necessidade delas e saber traduzir isso no seu trabalho.”

 

Conheça a história de Flavia Del Pra

Meu nome é Flavia Del Pra. Nasci em Jundiaí, no interior de São Paulo e sou de uma família grande, de quatro filhos: 3 homens e eu, única mulher. 

Cresci com minha mãe em volta, sempre por perto. Não fui uma criança que ia para a natação, inglês, judô, ballet, esse monte de coisas que as crianças fazem hoje em dia. A gente ficava muito em casa, ajudando minha mãe com as tarefas do dia-a-dia de uma casa. Ela tinha esse espírito super criativo. Costurava muito bem, tinha sempre uma máquina de costura por perto. Me lembro dela fazendo algo artesanalmente para a gente a toda hora. Então, na escola, quando tínhamos um trabalho, ela mesma fazia a cola, a tinta… Misturava a farinha com água… Enfim, nossa vida era muito ficar em casa e fazer as coisas com o que tínhamos à mão.

As brincadeiras vinham do nada. Não era sempre que tinha boneca, carrinhos… Me lembro de brincar com uma “peninha” e dizer que era minha boneca. 

Acho que muito do que eu trago vem desse clima de fazer as coisas com as mãos e não de comprá-las.

Foi então que minha mãe me matriculou numa escola, o Sesi. Era uma escola voltada para a indústria, com um direcionamento forte para o fazer. Lembro de uma aula que chamava “Formação Especial”,  que eu amava! Era um atelier gigante. Eu tinha mais ou menos oito anos e nós tomávamos conta do atelier, dos materiais, enfim. Havia aulas de marcenaria, pintura… Eu ficava alucinada! A escola incentivou muito meu ímpeto de criar algo a partir do “nada”.

“Foi aí que resolvi e ir para Londres. Eu queria experimentar, estudar tudo que tinha vontade: fui fazer curso de vídeo-documentário, história da arte, papel marché, cerâmica… Fui buscar inspiração.”

Bom, o tempo passou e com 17 anos vim para São Paulo. Fiz publicidade na Faap e foi ótimo. Eu nem sabia direito o que ia fazer, mas foi muito bom estar em São Paulo, naquela faculdade e viver tantas coisas novas e diferentes.

Me formei e fui trabalhar na W/Brasil como atendimento. Sim, não tinha nada a ver com minha relação com a criação, mas foi importante conhecer o mercado de trabalho e vivenciar um ambiente tão criativo, como eram as agências naquela época. Naquele tempo as agências eram mais “autorais”, eu diria. Os criativos das agências de propaganda eram artistas, gente muito boa e interessante.

Apesar de não ter nada de artístico no meu trabalho como atendimento em agência de propaganda, incorporei muito a experiência desse trabalho no que faço hoje. 

Não adianta você ser só criativo. É muito importante saber vender, falar com as pessoas, entender a necessidade delas e saber traduzir isso no seu trabalho.

A vontade de sair desse mercado veio logo. Não achava que tinha uma vocação, mas algo me empurrava para criar. Eu não sabia nem desenhar, então, me achava inapta para ser um “criativo de agência”.

E como Londres é uma cidade muito aberta pra isso, as escolas são incríveis e oferecem muitos cursos, eu fiz muita coisa boa.

E, de tudo que fiz, teve um curso que amei e que aí sim me deu o clique. A professora era ceramista, o marido mosaicista e todo o cenário era muito lindo, meio hippie, fora de Londres… Eles tinham um forno de cerâmica e eu pirei. Ela fazia a cerâmica e o marido incorporava no trabalho dele de mosaico. Ali eu lembro que senti que havia encontrado uma coisa que gostei de verdade.

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Quando voltei para o Brasil, totalmente sem grana, resolvi voltar para a casa dos meus pais e abrir um atelier de cerâmica e investir nisso! Foi quando eu comecei a pintar as peças de cerâmica, tentando reproduzir de uma certa maneira o que aprendi com aquele casal que conheci no curso.

 Eu pintava a cerâmica, recortava ela inteira e montava os mosaicos. Porém, eu comecei a criar padrões e estamparia na própria cerâmica e fazia todo aquele trabalho incrível, que demorava horas.

 Ao longo do tempo, comecei a gostar mais do processo de pintar os azulejos do que da parte do mosaico. Amei criar as estampas e colocar no forno e ver como aquilo se transformava.

Uma coisa muito gostosa de trabalhar com cerâmica é a surpresa. Você não consegue já saber a cor que vai sair, não é possível ver o resultado de imediato. Precisa ter muita paciência. Esperar o forno esquentar, esfriar… Então era sempre uma surpresa muito prazerosa quando eu abria e via o resultado final.

 Assim, fui investindo cada vez mais nessas técnicas e acabei incorporando uma nova técnica ao meu trabalho que é a terceira queima. Funciona assim: além de fazer a cerâmica (que é o biscoito), faço a estamparia (na esmaltação) e aí vem a terceira queima, na qual crio padrões, ou desenhos em silkscreen, imprimo na cerâmica e, de novo, passo pelo processo da queima. 

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Isso virou uma marca forte do meu trabalho hoje em dia. A partir daí, eu descobri a azulejaria. E aí fui estudar isso no Brasil, em Portugal, no mundo. Descobri uma coisa muito bacana, que é a história do processo inverso do azulejo: em Portugal eles não usavam o azulejo em fachada de prédios, porque eles não tinham um ambiente tão quente quanto aqui. Mas, quando os portugueses vieram para o Nordeste do Brasil, começaram a usar os azulejos nas fachadas das casas e etc., para os ambientes ficarem mais frescos. Eles gostaram tanto que isso voltou para Portugal e começaram a usar o azulejo dessa maneira por lá também.

Me apaixonei pela técnica e história do azulejo e passei a fazer painéis deles, outra marca forte do meu trabalho. 

Isso foi mais ou menos em 98/99, época em que conheci o Gilberto Dimenstein. Mostrei meu trabalho pra ele, a gente se encantou um pelo outro e criamos o projeto 100 Muros.  Juntamos 400 pessoas para pintar azulejo, com o tema “cidadania”. Foi uma grande festa na rua, na frente da ONG do Dimenstein, a Aprendiz. Aquilo virou um painel grande e lindíssimo. Foram três anos de projeto e 100 muros literalmente foram feitos. Ganhamos um selo da Unicef por trabalhar a arte no espaço público.

Esses muros com azulejos viraram uma marca registrada da Vila Madalena, em São Paulo. Foi feito também um livro, que é referencia pedagógica para outros projetos. Esse foi um momento bem especial para mim, no qual pude incorporar os azulejos, meu fazer, dentro dessa coisa enorme que é o fazer coletivo.

 Eu recebia e-mails de pessoas me contando que, por causa do projeto, começaram a trabalhar com cerâmica como um meio de vida mesmo, como um caminho.  Foi muito legal.

“O mais legal da cerâmica é que ela permite fazer muita coisa. É o material mais plástico que existe, então dá vontade de investigar, ver o que dá para fazer. E eu tinha estudado cerâmica. Trabalhava com modelagem, torno e isso me permitia explorar outras formas e técnicas.”

Mas, como artista, eu acabei deixando um pouco de lado o meu trabalho autoral e então veio a vontade de voltar para o atelier e criar coisas novas. Foi uma época muito criativa. Fiz parcerias muito boas. Numa delas, com a Adriana Barra, criei galochas de cerâmica que eram vasos de flores,  abajures com bases de cerâmicas e cúpulas de tecidos. Comecei a criar as estampas também. 

Meu trabalho começou a “bombar” de uma forma diferente. Eu amava os azulejos, mas o mais legal da cerâmica é que ela permite fazer muita coisa. É o material mais plástico que existe, então dá vontade de investigar, ver o que dá para fazer. E eu tinha estudado cerâmica. Trabalhava com modelagem, torno e isso me permitia explorar outras formas e técnicas. 

Foi aí que aluguei um atelier só para mim,onde fiquei por anos. Foi uma época muito viva, de muitas parcerias e criações novas. Tudo estava acontecendo. Era um auge criativo para mim.

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Foi então que conheci meu ex-marido, pai do Benjamim, meu filho, de quatro anos. Voltei para Londres. A Inglaterra é “O” lugar para cerâmica. Como eu tinha morado lá antes, em um mês, já tinha o meu atelier.  Juntei uns amigos ceramistas que conheci e alugamos um lugar chamado “Chocolate Factory”, que era realmente uma antiga fábrica de chocolate. 

O mais legal é que, diferente do Brasil, onde cada um tem seu espaço de trabalho, lá as coisas são muito mais coletivas. Então eu sentava ao lado de um cara que fazia cimento, outra que fazia molde e outro que fazia torno… Cada um tinha sua especialidade e isso foi muito rico criativamente. 

Por outro lado, deu um, dois, três meses e a grana que eu tinha começou a acabar. Eu não conseguia vender peça nenhuma, ninguém me conhecia e daí foi super desesperador. Eu estava no lugar onde tudo acontecia, o país da cerâmica, mas eu não vendia trabalho nenhum. Eu fazia mil coisas, produzia um monte, estava com minha bancada lotada de “samples”, mas não fazia rodar. Londres é uma cidade cara, enfim… Passou pela minha cabeça abandonar a cerâmica por um tempo e arrumar um emprego. Cheguei no meu limite de grana. Foi quando, sete meses depois que estava lá, conheci uma mulher, num jantar despretensioso, que me propôs montar um negócio. Disse que seria minha agente e que iria me vender.

Não só eu, mais outras quatro pessoas. 

“Meu trabalho saiu em matérias, ganhei duas páginas na Time Out, no Independent, Elle Decoration, Vogue… Enfim, começou a acontecer! Foi incrível, porque eu fui a única a acreditar no começo, coloquei toda minha energia e amor em tudo que fazia e sem rolar grana.”

Então ela pegou esses cinco artistas e montou uma exposição. E foi inacreditável! A partir desse momento tudo começou a acontecer e em Londres, que é uma cidade super importante.

Meu trabalho saiu em matérias, ganhei duas páginas na Time Out, no Independent, Elle Decoration, Vogue… Enfim, começou a acontecer! Foi incrível, porque eu fui a única a acreditar no começo, coloquei toda minha energia e amor em tudo que fazia e sem rolar grana. Até que entrou no trilho e a coisa começou a virar. E através dessa mulher, a Anthropologie, que é uma loja americana super bacana, quis conhecer meu trabalho e fez uma encomenda de uma coleção inteira. A gente desenhou a coleção juntos e vendeu muito. Foi incrível!  

O maluco, é que na Inglaterra você não tem assistente. Terceiriza-se as coisas. Eu não tinha fábrica nesse tempo e eles me pediram 400 peças e, sim, eu fiz tudo a mão. Foram madrugadas a dentro, forno, queima, embalagem… Tudo feito por mim. 

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Deu muito certo. Venderam super bem. Aí veio outro pedido de coleção e eu procurei uma fábrica numa cidade próxima a Londres para me apoiar na produção. Imagina uma cidade só de cerâmica, onde estão os maiores fabricantes de porcelana inglesa. Na verdade, eu contratei um atelier grande, em que muitas pessoas trabalhavam fazendo tudo a mão. Pra mim, aquilo foi o melhor aprendizado. Foi alí que eu vi como uma ideia, coisas que pensamos, podem ser feitas, realizadas. Fizemos luminárias lindas.

Nesse momento tudo se encaixou. Quando um artesão, uma pessoa que faz com as próprias mãos, desenha e constrói sozinha, vê uma possibilidade disso virar renda, um produto que o mercado queira e, ao mesmo tempo, descobre que existem indústrias, métodos nos quais sua ideia pode ser transformada em produção, tudo se encaixa. Pra mim foi ali que aconteceu. Eu fui a capa do catálogo da Anthropologie. Vendi para o Le Bon Marché, vendi para a Europa inteira. Foi muito legal.

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Mas, chegou o momento em que a vida pessoal se mistura com a profissional e o cara com quem eu era casada queria sair de Londres, viajar. Eu fiz as malas e disse: “- bom, tá aqui a minha bagagem de vida, mas agora eu vou para essa história que está me chamando mais.”

E ficamos dez meses viajando. Foi incrível entender, ver o que estava acontecendo no mundo e receber outras influências. E o reconhecimento foi acontecendo. 

Quando estávamos na Tailândia fui visitar uma loja super legal de design – porque também estava fazendo pesquisa, buscando referências – e encontrei uma luminária minha na loja, não acreditei! Fui falar com o dono para saber onde ele tinha comprado e foi demais ver que meu trabalho tinha caminhado de um jeito que não podia imaginar.

Mas, embora tenha sido muito criativo para minha vida essa viagem, eu parei de trabalhar nesse momento. Coloquei minha energia em outro lugar.

Aí voltamos para o Brasil em 2008 e engravidei. Resolvi parar minha vida para me dedicar ao meu filho. E quem tem um trabalho autônomo, que depende do seu fazer para seu próprio sustento, quando pára de trabalhar, tudo dá uma aquietada. A história profissional ganha outro ritmo. Então, também como mulher, foi muito difícil porque eu vivi o dilema de todas: o de ser mãe, empreendedora, cuidar da casa, enfim. Foi bem complicado e apaguei o lado do fazer profissional, para viver o fazer de mãe.  E isso vem com suas alegrias e dores. Porque não é nada fácil fazer essas escolhas e conseguir administrar todas as urgências que a gente tem.  Esse também foi um capítulo de dificuldade: de grana, tempo, culpas…

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Mas, “filho criado”, hoje com quatro anos,  a vida vai, a vida roda e voltou! Acho que também, como todas as relações, a relação com meu trabalho deu uma caída e não faz muito tempo, há um ano, eu consegui restabelecer meu atelier. Tenho uma assistente agora, que trabalha comigo o tempo inteiro, e resolvi novamente ir atrás de meus contatos. 

E tudo isso trouxe de volta coisas importantes: por exemplo, quando morei em Londres, descobri que não dá para fazer sozinho. Ok, quer fazer sozinho, você será sempre um artesão, alguém que tem um preço especial, mas que nem todo mundo paga no mercado. Então qual é a do mercado? O mercado quer coisas legais, bacanas, mas quer um preço bom. Então pensei: vou juntar minha experiência de Londres que é ter ideias e passar para essa produção em escala, que não é industrial, mas já consegue entregar uma quantidade muito maior do que posso fazer no atelier. 

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Hoje tenho vários parceiros. É uma troca riquíssima de culturas e fazeres. Eles incorporam na produtividade coisas que faço e vice-versa. 

Pra mim é muito legal, porque eu faço desde a peça exclusiva, que penso com o cliente (eu adoro fazer isso), mas tenho também clientes como lojas maiores, que precisam de uma quantidade, de um preço competitivo, que o produto rode.

O ano em que parei o trabalho para viajar tinha ido à India e ficado completamente louca com o que vi. É um país de artesãos. Um lugar no qual as pessoas sabem fazer tudo e são muito primorosos. Recentemente voltei lá e fiz uma parceria com uma das maiores fábricas de cerâmica da Índia. Hoje em dia, eu desenvolvo peças para eles. Tem sido muito enriquecedor, porque vou para lá trabalhar do jeito deles. E eles sentam no chão para trabalhar, não tem mesa e todos os artesãos criam juntos para chegar no produto que o mercado necessita. 

Eu diria que essas coisas que vamos incorporando em nossas vivências são fundamentais para quem tem um fazer e quer viver dele. 

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 ”Passou pela minha cabeça abandonar a cerâmica por um tempo e arrumar um emprego. Cheguei no meu limite de grana, quando 7 meses depois que estava lá, conheci uma mulher, num jantar despretensioso, que me propôs montar um negócio. Disse que seria minha agente e que iria me vender.”

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“Quando um artesão, uma pessoa que faz com as próprias mãos, desenha e constrói sozinha, vê uma possibilidade disso virar renda, um produto que o mercado queira e, ao mesmo tempo, descobre que existem indústrias, métodos nos quais sua ideia pode ser transformada em produção, tudo se encaixa. Pra mim foi ali que aconteceu.

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Eu amo meu fazer porque ele me permite ser feliz, fazendo o que eu gosto!

Luda Lima